Shang Chushi morreu sob a Tribulação do Trovão e, ao abrir os olhos, voltou ao lugar onde o pesadelo tinha começado. Lá fora, havia um maldito desmiolado esmurrando a porta; ela, sem hesitar, pulou pela janela e foi embora. Desta vez, com o céu alto e a estrada longa, ela iria vagar livremente pelo mundo das artes marciais.
Quando Shang Chushi voltou a abrir os olhos, o que viu foi a armação da cama feita de pau-santo, de linhas suaves, e, ao respirar, sentiu o aroma discreto de sândalo no ar.
A decoração do quarto era ao mesmo tempo familiar e estranha.
Se a memória não lhe falhava, aquele devia ser o aposento em que morara quando ainda estava na Seita do Céu Profundo, no Pátio Celestial, ala A, quarto dois — um lugar reservado apenas aos discípulos internos da seita.
Naquela época, se tivera a sorte de viver num quarto tão bom, fora por influência de alguém...
Mas por que ela estava ali?
Lembrava-se perfeitamente de ter morrido sob a tribulação do trovão, quando tentara avançar ao estágio da Alma Nascente e não conseguira vencer o demônio interior.
Ela... acaso voltara ao passado?
Enquanto Shang Chushi permanecia sentada na cama, aturdida, ouviu batidas secas do lado de fora da porta. Alguém estava a chamar.
“Chushi, estás aí?”
O recém-chegado era um homem de feições delicadas, belo e ameno como jade, vestido de azul, com um diadema prateado na cabeça.
Shang Chushi não alterou a expressão. Reconhecia bem aquela voz.
Era a voz daquele bastardo!
“Chushi, a cerimônia de formação do núcleo da tua irmã está quase a começar. Precisamos ir depressa.”
Ao ouvir isso, Shang Chushi não pôde evitar um desprezo silencioso. Aquele homem era mesmo desavergonhado a ponto de desafiar o bom senso.
“Chushi, abre a porta. Já está na hora de irmos.”
Sem obter resposta, o homem do lado de fora continuou a bater, até que a