Como é sabido, o protagonista masculino de um romance melodramático de “tomar à força e impor-se” jamais consegue fazer isso sem a ajuda de um peão. Essa pessoa pode ser seu mordomo, seu médico sempre à disposição ou seu assistente onipotente; a tarefa de Gu Chaoyu era justamente interpretar esse papel. Num romance escolar de amor puro, ele, na função de mordomo, ao ver o protagonista masculino trazer a protagonista feminina de volta à velha casa, mostrou um ar de alívio: “O jovem mestre nunca trouxe uma garota para casa; faz muito tempo que não o vejo sorrir assim.” O jovem mestre, que tinha acabado de fazer manha na despedida da manhã, o encarou com olhos de peixe morto: “A frase depois disso, repita mais uma vez, com a consciência limpa?” Num romance de amor trágico e abusivo, ele, como médico, quando foi chamado de madrugada por telefone, ainda sonolento, pensou: “Por que me fazer correr por causa de um ferimento tão pequeno?”
Diante dele estava um homem vestido com um terno de três peças. A olho nu, parecia ter entre sessenta e setenta anos; as têmporas já estavam grisalhas, mas nele não havia a decadência própria da velhice. Ao contrário, exalava vigor, e cada ruga no rosto parecia ter nascido sob os rígidos padrões de uma mente obsessivamente ordenada. Era impecável, diligente, e o sorriso tinha uma bondade calorosa.
“Chaoyu, não precisa ficar nervoso.”
O carregamento aleatório deste mundo foi concluído com sucesso. Hospedeiro, prepare-se para lidar com a situação.
Gu Chaoyu ainda não tinha recebido formalmente a trama nem as memórias, e, diante do consolo daquele homem que parecia um mordomo, só conseguiu assentir de modo vago. Seu olhar então se voltou para a decoração interna da mansão.
Era o crepúsculo, uma hora em que nem se sabia direito se valia a pena acender as luzes; a parede de vidro translúcido, em grande parte coberta pelas cortinas, não conseguia dissipar a penumbra do interior. Havia uma fina camada de poeira sobre o piso de madeira e sobre as mesas da sala; no campo de visão, algumas tias estavam endireitando cadeiras caídas e um biombo caro… como se aquele lugar tivesse sido saqueado e depois abandonado por completo.
Mas, quando ele ergueu a cabeça, pousou a atenção no lustre de cristal enorme e excessivamente espalhafatoso, depois a desviou casualmente, e no canto do andar de cima, de relance, encontrou um garotinho. Ao cruzar o olhar com ele, percebeu que seu julgamento havia sido equivocado.
O menino devia ser o “habitante original” da