O Condutor de Almas de Kunlun

O Condutor de Almas de Kunlun

Autor: Em busca do vento

Na era primordial, os deuses caíram, e demônios e fantasmas começaram a assolar o mundo. A Agência Kunlun, a presença mais discreta em meio ao brilho e à agitação da cidade, encena uma após outra estranhas ocorrências sobrenaturais, dignas de um romance sentimental. E tudo isso começou quando a jovem Ding Xiaolan conheceu Qi Lu, o dono da Agência Kunlun: um necrotério assombrado, a raposa de nove caudas de Qingqiu, Xu Xian ressuscitado, o lendário artesão de todos os tempos Yanshi, o etéreo e ilusório paraíso imortal de Kunlun... Por trás dessa verdade fantasmagórica e bizarra, o que os aguarda é apenas a morte sufocante.

O Condutor de Almas de Kunlun

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Prólogo

Sem saber se era sonho ou uma alucinação remanescente na mente, Qui Lu descobriu-se sentado num palácio deserto, onde uma lâmpada vermelho-sangue, sem haste nem base, emitia um brilho fraco, semelhante ao de vaga-lumes. O piso de mármore negro, sob a projeção do luar que entrava pela janela, refletia cores sinistras.

Como se movido por um instinto, ele se levantou, abriu a janela e olhou para fora. O que lhe entrou pelos olhos foi uma estrada larga e ao mesmo tempo sinuosa, estendendo-se sem fim. No centro da via havia um grupo de pessoas alinhadas em fileiras ordenadas, como soldados. Nenhuma expressão lhes aflorava ao rosto; pareciam mortos-vivos sem vida.

À esquerda da estrada, havia uma espessa camada de neve branca, de onde, vez ou outra, emergiam pedras alvíssimas; por entre elas, distinguia-se vagamente ossadas de animais desconhecidos misturadas à rocha.

À direita, havia um grande lago, ou melhor, um lago de gelo. Lá dentro não havia água alguma, apenas gelo, sem o menor sinal de correnteza. No gelo estavam presos muitos seres, imóveis, inteiramente congelados. A lua minguante pendia no céu, sem uma única estrela a acompanhá-la.

Ali, parecia que tudo havia mergulhado em silêncio. Nem mesmo o som do vento se podia ouvir. O único ruído era o de seu próprio coração, que batia de modo mecânico e monótono, tum-tum, tum-tum, como se ele próprio tivesse se transformado num enorme relógio pendurado.

De súbito, uma luz estranha, azulada e avermelhada, irrompeu de fora do palácio e penetrou diretamente no interior, fazendo com que todo o edifí

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