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A chuva de primavera que acompanha o verão era fina como seda de bicho-da-seda; tingia de amarelo-esverdeado os salgueiros de toda a cidade e caía sobre os guarda-chuvas de papel em gotículas sucessivas, com um som leve e saltitante.
A umidade que subia do chão trazia ao nariz o perfume da terra revolvida. No jardim, um lilás da altura de um homem estava em plena floração; entre o verde vivo, cachos de púrpura-claro surgiam e se ocultavam como sombras.
Jiang Fu estava diante do lilás, escolhendo com vagar as folhas mais largas e arredondadas. Com a unha, pressionava a base de cada folha; bastava um pouco de força para arrancá-la, e então a colocava no cesto de bambu pendurado no braço.
Em meia hora, havia colhido apenas sete ou oito. Ainda assim, achou que bastava. Ergueu o cesto e voltou-se para a galeria coberta que ficava atrás dela.
Passando pela galeria e atravessando a porta em forma de vaso, chegava-se ao pátio interno. Sem ânimo para abrir o guarda-chuva, apressou o passo por mais alguns metros e enfim alcançou o beiral.
Na transição entre o fim da primavera e a aproximação do verão, o tempo chuvoso trazia um calor abafado. A porta do aposento não estava fechada; separava-a apenas uma frágil cortina de bambu. Ela deixou o guarda-chuva de papel oleado, ainda pingando, do lado de fora, levantou com a mão nua uma das extremidades da cortina e então seu corpo esguio se insinuou pela fresta, leve e silencioso, como quem teme incomodar alguém.
Ainda assim, por mais cautelosa que fosse, a pessoa no aposento interno acabou despertando.