Sou vaidoso, egoísta, ganancioso e lascivo; de vez em quando, até mato e incendeio. Mas sei que sou um bom imortal — Guo Xian, companheiro de caminho, já me elogiou em versos: Despreza fama e fortuna, não ama o dinheiro; puro como o gelo e o jade, firme no coração do Dao. Generoso e justo, a virtude sempre à frente; com poderes ilimitados, nobre e sublime.
A Montanha da Serpente Ascendente, o Povoado do Cavalo Alado.
Deitado junto à parede, Gaoyan teve um leve estremecimento nas pernas e despertou abruptamente de um pesadelo. O primeiro objeto que saltou à sua vista foi um estranho forno de bronze amarelo para alquimia, com um metro de altura, parecendo um bule sem bico, sustentado por três pernas em forma de sapos, repousando sobre uma base de tijolos.
Abaixo da base havia um canal para alimentar o fogo, com uma chaminé conectada por um duto de fumaça. Na verdade, tratava-se de um fogão à lenha de estrutura um tanto complexa.
Gaoyan permaneceu atônito por alguns instantes antes de suspirar. Esse excêntrico forno de alquimia era seu instrumento de trabalho, o responsável por sua alimentação.
Já era o terceiro dia desde que atravessara para este novo mundo. Adaptara-se ao novo corpo e ao novo nome, mas ainda não aceitava sua nova identidade: alquimista.
Estendendo a mão esquerda, murmurou em pensamento: “Revelar.”
De súbito, surgiu em sua mão um antigo espelho de bronze, cuja haste trazia gravadas as palavras: “Espelho dos Ventos e da Lua”.
Este espelho, uma espécie de relíquia inspirada em “O Sonho do Pavilhão Vermelho”, fora um presente de aniversário de um amigo, e, de modo inexplicável, viajara com ele para esse mundo.
No reflexo do espelho, surgiu um rosto jovem e belo. Gaoyan, habituado a ler contos derivados de “À Beira d’Água” e assistir a filmes de baixo orçamento, não encontrava termos adequados para descrever sua fisionomia atual.
Expressões como “sobrancelhas