Nas montanhas há de tudo; quem tem habilidade para extrair seus tesouros pode conquistar uma fortuna! Lú Li renasceu no ano de 1982 e, nesta época em que armas e caça não são proibidas, inicia uma vida dedicada a explorar as serras e suas riquezas.
— Eu vou, eu vou, não é suficiente? —
Lü Lü, incapaz de suportar mais, lançou essas palavras, voltou ao quarto, rapidamente arrumou suas coisas, fez delas uma mochila e saiu batendo a porta.
Lá fora, o sol ardia; em abril, Haicheng já estava abafada, envolta num cheiro salgado e seco que irritava e inquietava.
Ele tocou a nuca: o sangue grudado ao cabelo já tinha secado, duro como pedra.
Sua cabeça ainda latejava, como se um relâmpago iluminasse por dentro de tempos em tempos.
Revivendo tudo desde aquele ponto, lembrando-se dos acontecimentos anteriores, ele não conseguia conter a raiva que crescia dentro de si.
Oito anos inteiros como jovem instruído nas terras selvagens do norte, retornando a Haicheng no inverno de 1980, passou um ano desempregado, outro trabalhando em um pequeno ateliê da administração do bairro, lidando diariamente com escovas de cerdas e recebendo menos de um yuan por dia, aguentando firme, ainda tendo que entregar a maior parte do salário à família para as despesas básicas.
Quando finalmente conseguiu uma oportunidade de emprego formal, seu pai adotivo exigiu que cedesse o lugar ao irmão mais velho — um homem de quase trinta anos, preguiçoso e sem ambições, vagando pelas ruas.
A justificativa era simples: “Sem trabalho, seu irmão nem consegue arranjar esposa. Você tem coragem de vê-lo solteiro para sempre?”
E, ao invés de reconhecimento por sua argumentação, recebeu uma pancada furiosa nas costas.
Nunca considerou o bem de Lü Lü, apesar de conviverem por tantos anos. Sempre foi um estranho: só porqu